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VENTO FRIO

 

O vento me traz seu nome, de longe,

Não sei bem de onde.

E recobro palavras exiladas, coitadas,

Sopradas de um arquivo morto,

Em que ficaram guardadas.

 

O vento que vem de açoite,

Assombra a face de quem se esconde

Na noite, mascarando o rosto,

Para não ver o desgosto de uma estória

Sem fim, pra sempre em sua memória.

 

O vento, ar em movimento,

Não sabe ao certo onde quer chegar,

Mas nem por isso cessa de soprar,

Tentando em vão nos dizer do frio

Que esse desencontro insiste em recordar.

 

O vento cortante do inverno,

Reduz minha esperança a zero,

E a vida minha, que queria subir o rio

Na contramão, de repente, se viu perdida,

Sem rota, sem rumo, sem direção.

 

CIN BUENO

19/05/2006



Escrito por Cinthia Bueno às 20h07
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AMIGOS, mais um ano que se finda...

 

2005 se despede, nos deixando algumas lições importantes de vida.

Como ouvir dizer, o acaso é um pseudônimo de Deus.

Devemos ler nas entrelinhas da vida, pois as mensagens estão ao nosso redor o tempo todo.

Se observarmos bem, até o mal que nos fazem pode ser aproveitado como experiência para nosso convívio com as pessoas.

SÓ DEPENDE DE NÓS a forma como vamos encarar o que nos acontece de bom ou de ruim!

Portanto, vamos começar o ANO NOVO com bons pensamentos, boas intenções, nos livrando de toda a raiva ou desejos frustrados que possam estar impedindo nossa energia de fluir livremente...

Como apoio nessa empreitada, colhi na árvore frondosa da internet um texto repleto de sabedoria, que desejo compartilhar com os que visitam a minha "casa virtual"...

 

FELIZ NATAL PARA TODOS E UM ANO NOVO DE MUITA PROSPERIDADE E AMOR ENTRE OS HOMENS!!! 



Escrito por Cinthia Bueno às 11h47
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Toda raiva tem origem no desejo

Por Emilce Shrividya

Como nos diz a Bhagavad Gita, uma escritura essencial do Yoga, os piores inimigos que temos na Terra podem ser encontrados em nossa própria mente: desejo e raiva. Um não está separado do outro.

Quando um desejo é frustrado, ele se transforma em raiva. E junto de um desejo existe outro desejo, e desse modo continuamos alimentando a raiva nesta cadeia infindável de desejos.

A raiva surge de nossos desejos insatisfeitos, de nossas mágoas, frustrações, decepções e gera infelicidade.

O ódio e a raiva são considerados as maiores emoções negativas ou aflitivas por serem os maiores obstáculos da bondade, da compaixão e do altruísmo e também por destruírem nossas virtudes e nossa tranqüilidade mental. Com a raiva perdemos os méritos de nossos bons pensamentos e de nossas boas ações.

Seis tipos de pessoas são tristes

No grande poema épico indiano, Mahabharata é dito:

"Seis tipos de pessoas são tristes:
- Aquelas que têm inveja dos outros
- Aquelas que odeiam os outros
- Aquelas que estão descontentes
- Aquelas que vivem da fortuna dos outros
- Aquelas que são desconfiadas
- Aquelas que têm raiva"

Verdadeiramente, é a raiva que produz as outras cinco condições que causam a tristeza.

E esta raiva assume muitas formas, muitas facetas como: aflição, ressentimento, contrariedade, mau humor, aspereza, animosidade, explosões de raiva, ira, rancor, crises de choro e soluço. Muitas vezes, as lágrimas não são sinais de fraqueza, mas a força da raiva.

A raiva envenena corpo e mente

Ataques de raiva e de mau humor produzem danos sérios nas células do cérebro, envenenam o sangue, causam insônia, depressão e pânico; suprimem a secreção dos sucos gástricos e da bílis nos canais digestivos, criando gastrites e úlceras, esgotam a energia e vitalidade, causam problemas cardíacos, provocam velhice prematura e encurtam a vida.

Quando você se zanga sua mente fica perturbada e isto reflete em seu corpo que sente distúrbios. Todo o sistema nervoso se agita e você se enerva, perdendo a harmonia, a eficiência de agir, o vigor e o entusiasmo.

A raiva é uma energia poderosa que precisa ser dissolvida para que você possa ser mais livre e saudável.

É muito importante saber que ninguém provoca raiva em você, ela é criada por você. Já existe em você acumulada desde a infância... De repente, isto é acionado por alguma palavra ou por alguma ação de alguém e você experimenta uma raiva, às vezes inapropriada, sem motivo.

Se não temos controle sobre nossa mente que vagueia a todo instante, perdemos o controle e, a raiva brota muito forte de nosso interior, nos destruindo e magoando.

Geralmente esta raiva começa quando somos crianças. Quando não conseguíamos o que desejávamos, ficávamos zangados e nossos pais faziam o que queríamos. Assim aprendemos que podíamos ficar zangados porque isto funcionava para alcançar nossos desejos.

Muitas vezes, as pessoas falam o que não querem, são dominadas pela raiva e explodem causando inimizades, mágoas e conflitos. E depois dizem: "Perdi a cabeça! Não tenho controle sobre minha mente ou emoções! Mas o que posso fazer? Eu sou assim mesmo. Não vou mudar!"

Porém, elas precisam entender que estão prisioneiras de camadas densas e sólidas de raiva e de desejos insatisfeitos. Se não despertarem para a necessidade urgente de começar a fazer algo a respeito, elas vão viver em total infelicidade, no meio de suas próprias negatividades. Isto é viver em um verdadeiro inferno interior.

Colocar a raiva para fora apenas agrava esta emoção negativa e a faz crescer ainda mais. Se deixarmos isto sem controle, expressando nossa raiva cada vez mais, ela não vai se reduzir e sim aumentar, gerando mais dor e inquietude para nós.

Pare o ciclo da raiva

Na Bhagavad Gita, o Senhor Krishna diz: "Ó Arjuna, deixe de pensar em seus inimigos externos. Em vez disto, conquiste seus inimigos internos".

O Yoga diz que precisamos observar a raiva, analisá-la; aprender a lidar com ela e a dissolvê-la através da contemplação e da meditação.

Pratique a meditação e perceba seus efeitos. Sinta o apaziguamento. Perceba como sua mente se torna pacífica e serena e como isto lhe apóia durante o seu dia.

Contemple, sem julgamento e culpa, os fatores que deram origem à manifestação da raiva, aprendendo a se conhecer melhor.

É importante reconhecer os erros para corrigi-los e agir melhor no futuro. Peça desculpas, treinando a humildade, que é a virtude das pessoas fortes e corajosas.

Compreenda que ninguém é perfeito. Cada um de nós fez algo de errado. É da condição humana. O importante é aprender com nossos erros sem a atitude de censura ou crítica excessiva por nós mesmos, pois esta autopunição é fonte de sofrimento para nós. E quando vamos entendendo isto, nos tornamos mais tolerantes com as falhas das outras pessoas e sentimos menos raiva.

Liberte-se do sentimento de culpa, porque se você se culpa você alimenta ainda mais a sua raiva e se torna prisioneiro deste ciclo vicioso. A culpa gera mais baixa-estima e você cai na armadilha do ego e, como conseqüência passa a ser mais limitado, amargurado, infeliz. Este é o estado de escravidão do ego que nos faz sentir pequenos, inferiores.

Baba Muktananda, em seu livro Encontrei a vida, nos conta que certa vez perguntaram à grande santa Rabi'a:
"- Você alguma vez sente raiva?
-Sim -replicou ela-, mas só quando me esqueço de Deus."

Contemple essas palavras e compreenda que ao lembrar-se de Deus, ao desenvolver virtudes divinas, não haverá espaço para a raiva em seu interior e assim, você poderá ser mais livre e feliz. Fique em paz!

Referências bibliográficas:

Meu Senhor ama um coração puro-Chidvilasananda, Swami-Ed. Siddha Yoga Dham Brasil.
Encontrei a vida- Muktananda, Swami- Ed. Siddha Yoga Dham Brasil.



Escrito por Cinthia Bueno às 11h42
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O TEMPO PSICOLÓGICO DO ELEVADOR

 

Outro dia, ao utilizar esse meio de transporte insólito que é o elevador, eu me dei conta de uma coisa: que ao embarcar sozinha, o tempo de descida até a garagem era muito mais rápido.

Não que a velocidade do módulo se acelerasse. Não era isso. Até porque o contrário era mais provável, pois o peso das pessoas poderia apressar, ainda que em irrelevantes centésimos de segundo, a chegada ao nosso destino. Percebi que o incômodo que sinto ao, de súbito, ver a porta do elevador se abrir e outras pessoas ingressarem naquele apertado cubículo, torna o resto da viagem insuportável.

Primeiro porque, após o educado bom dia, ou boa tarde, ou boa noite, não consigo dizer mais palavra. Calo, emudeço, paraliso. Não consigo tampouco olhar no espelho, e continuar analisando quantos cravos ainda remanescem desde a última limpeza de pele... insuportável! Nem posso me distrair com as olheiras arroxeadas que insistem em se pronunciar sob os meus olhos após uma noite desaconchegada de sono.

A proximidade física de pessoas que desconheço ou cujos rostos apenas me são familiares (além dos endereços, é claro), causa-me um desconforto sem par. Temos que respirar o ar saturado daqueles exíguos metros cúbicos, sentir cheiros (nem sempre agradáveis), e aguardar com serenidade que os andares se sucedam, lentos e intermináveis no marcador digital, até que a porta se abra novamente e nos liberte daquele convívio forçado e inesperado.

Sem falar que todos querem segurar o elevador mais um pouquinho, ao chegar no nosso andar. Seja para buscarmos algo que esquecemos, deixar um último recado, dar um beijo no filhote que fica, matar aquela sede que só se nos apresenta na última hora... Mas não, a presença de estranhos nos impede de exercer esse domínio sobre a porta do elevador, deixando-o ali, imóvel, ao nosso dispor, nem que seja por uns segundinhos...

Pior ainda é quando a situação se inverte e o nosso vizinho, ao abrir da porta, mesmo nos vendo dentro do cubículo de aço, não pensa como nós. Acha que pode pedir “um minutinho só... fulana, tem gente no elevadooooor!”, e a fulana grita de lá “Já vou...”.  E não vem!

E a gente fica lá, com pressa, mas tentando fazer uma cara de descontentamento, nem um tanto que acabe com a política da boa vizinhança, nem um tão pouco que os autorize a prenderem o elevador até quando desejarem... Difícil medida essa. Pois é...

Ao chegar à garagem, vem a sensação de liberdade, de poder manter a distância sanitária de rostos sem registro em nossa memória, e de poder caminhar em terra firme novamente, onde um contador não marque o tempo da nossa agradável solidão...



Escrito por Cinthia Bueno às 06h00
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FLUXOS E REFLUXOS

O rio da vida segue o seu curso,

Infinito de água doce que não quer secar,

Arrastando os meus sentidos rumo ao mar,

Para onde flui sem jamais voltar.

Os dias da minha vida são como o rio,

E os seus afluentes são toda a gente que ao chegar,

Nutre de novas águas, frias, doces, limpas,

Esse caudaloso rio, em encontros sem cessar...

Assim segue o rio, que não quer parar.

Não importam as intempéries, seu curso não há de se desviar

Sua rota não se limita, as barragens não podem comportar

O desejo de avançar das águas escuras e misteriosas,

Ora apenas límpidas e caudalosas,

Que seguem inexoráveis para o mar.

Nunca haveremos de observar o mesmo rio,

Sermos as mesmas pessoas que viram o mesmo rio,

Vivermos a mesma vida novamente.

Temos que seguir em frente.

Porque à frente estará o melhor que poderemos ser.

E não podemos faltar a esse encontro

Com o nosso anoitecer.

 

Cin

08/11/2005

 



Escrito por Cinthia Bueno às 12h07
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VERTIGEM

 

 

Virgem, assim me sinto em seus braços

Pura, como água que escorre fria em riacho

no meio do mato, bem longe do asfalto.

 

Vertigem, é o que sinto quando me enredo em sua teia

Galope de corcel na beira do mar, na maciez da areia,

bem longe de onde não posso lhe encontrar.

 

Selvagem, assim me sinto quando me cubro em seu corpo,

paixão que turva todo o sentido da razão, inebria,

sensação de puro arrebatamento que me contagia.

 

Viagem, é a transcendência que encontro em seu apalavrar

Subversão de todo o sentido da minha existência, essência

de tudo o que sempre busquei e não pensei encontrar.



Escrito por Cinthia Bueno às 08h34
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CARTAS QUE NÃO ESCREVO

 

Onde guardar as cartas que não escrevo?

O que fazer com as emoções que não dissipo, seja pelo choro, seja pelo riso?

O que fazer com o choro convulsivo que tenho medo de deixar sair?

Por que calamos o que deveria ser dito, sob pena de escapar num grito?

 

Porque, talvez, não haja destinatário para as cartas.

E falte também o interlocutor, para as palavras.

E falte o ombro para o choro, e cumplicidade para o riso.

Uma cama quente para o cansaço.

Muito menos tempo para arrependimentos.

 

A solidão, a velha amiga que sempre me faz companhia,

E mesmo sem que a busque, não me falta sequer um dia,

Passa as noites em claro ao meu lado, fielmente,

E por meu sono sempre velar, é quem primeiro sinto ao despertar.

 

Pois somente quando o dia é claro, adormeço.

As amarguras do dia que passou, finjo que esqueço,

E abraço o sono como se fizesse do sonho uma breve pausa,

E encontro, enfim, o esquecimento, que sequer o ópio me causa.

 

 



Escrito por Cinthia Bueno às 08h25
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Tudo sobre minha mãe (e sobre as mães dos outros também)
Crônica escrita em 04/12/2004

Gosto de observar o comportamento humano.

Ontem, no salão de beleza, onde tudo se conversa, tudo se discute, encontrei uma senhora, provavelmente na casa dos 50 anos, que já entrou esbravejando contra seu filho de 18 anos.

Mãe de quatro filhos, a senhora estava inconformada com o seu caçula porque, estando de férias em Salvador, recusara o seu pedido para fazer companhia à irmã mais velha, de passagem pelo aeroporto, aguardando uma conexão de seis horas. A irmã retornava do Chile, onde fora rever o namorado, e de repente ficara noiva. Portanto, estava feliz da vida!...

O irmão caçula estava em Salvador, visitando a namorada e querendo curtir o último final de semana com os amigos.

A mãe de ambos, à distância, estava inconformada com a “ingratidão” do seu filho e esbravejava incessantemente:

“O que custava ele ir ver a irmã um pouquinho? Está a apenas 10 minutos do aeroporto e não pode fazer isto?”

A manipulação era tão evidente que me causava náuseas.

Para completar, ela disse:

“Deixa ele chegar para ver uma coisa! Vou cancelar seu telefone celular”.

Resisti o máximo que pude.

A língua coçou...

Valendo-me do respeito que ela tem por mim, pelo cargo que ocupo (costuma dirigir-se a mim como “doutora”), em um dos momentos em que pediu minha confirmação (...não é mesmo, doutora?), resolvi fazer meu aparte e colocar aquele equívoco todo em xeque.

“Parece tanto com a nossa mãe..” - comentei.

Minha irmã me acompanhava, na cena, e me olhava de uma forma bem peculiar.

Já conheço aquele olhar crítico, de discordância.

Comecei a argumentar, primeiro, que ela estava sendo controladora (achei “manipuladora” uma palavra forte demais), ao cobrar do filho uma atitude de atenção e afeto com a irmã, que deveria brotar espontaneamente do adolescente, e não de forma compulsória, forçada, como ela tentava fazer.

Tentei fazê-la entender que não devemos controlar tudo o que nossos filhos fazem, porque criamos atritos inúteis. Claro que há um núcleo que nos incumbe controlar: se não usam drogas, se estudam, se não se metem em encrencas, mas não dá para exigir que reajam emocional, afetiva e intelectualmente da maneira que nós mesmos faríamos, pois isto varia muito de uma personalidade para a outra. 

Devemos transigir um pouco com os adolescentes, pois vivem uma fase que nós todos já vivemos, na qual é mais importante estar cercado de amigos, do que da família, e os laços familiares parecem prescindíveis e até limitadores da tão sonhada independência.

Somente após obter a tão sonhada independência é que podemos nos voltar para nossa família novamente, e nos damos conta, com a maturidade, que a família é com o que realmente contamos, na hora em que a coisa aperta.

Respeitar e entender as idéias e o momento que os filhos vivem é sinal de respeito. O respeito que tanto faltou na minha casa, na minha infância, na minha adolescência, e cujos traumas eu tento superar, até hoje.

Nunca me faltou AMOR. Tive-o de sobra.

Nunca me faltou CARINHO, ATENÇÃO, ASSISTÊNCIA, mas depois de adolescente, quando minha personalidade começou a se manifestar, eu comecei a sofrer, porque não suportava determinadas coisas a que me sentia obrigada.

Tirar fotos, por exemplo.

Em todas as minhas fotos de criança, com minha irmã, estou chorando e ela, sorrindo. Por que meus pais me obrigavam a tirar fotos??? Quem vai saber!...

Após expor com veemência os meus argumentos, amparada por outras pessoas lúcidas que ouviam o debate, consegui suscitar na indignada mãe o benefício da dúvida. Resolveu pensar a respeito. Considerou a possibilidade de não punir seu filho insubordinado com o “corte” do celular.

Fiquei satisfeita por ter dito àquela mãe o que sempre quis que a minha própria mãe ouvisse, mas nunca consegui.

Na semana seguinte, ao encontrá-la novamente no mesmo salão de beleza, soube que o caso teve um desfecho surpreendente. O filho resolveu ir ao encontro da irmã, pegou ônibus até o aeroporto com a namorada, mas ao chegar lá, a irmã já tinha marcado um encontro com uma amiga e não foi encontrada. Coisas da vida: enquanto a mãe arrumava companhia para a filha que ficaria triste e sozinha no aeroporto durante seis longas horas, esqueceu-se de avisar à moça que ela deveria se sentir assim...  Moral da história: viva e deixe viver!



Escrito por Cinthia Bueno às 13h57
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Amigos, já conhecem JOSÉ RÉGIO? Poeta português, cujo poema abaixo conheci de uma forma deliciosa: em uma espécie de SARAU LITERÁRIO, que aconteceu de improviso em uma festa...Delícia de surpresa!!!

Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

SE GOSTARAM, AQUI http://www.releituras.com/jregio_menu.asp TEM MUITO MAIS!!!

 



Escrito por Cinthia Bueno às 14h51
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FALANDO DE EMOÇÕES...

 

As emoções me perturbam, me incomodam, me destroem.

No sábado à noite, tudo estava plácido, noite estrelada sem nuvens sobre nós.

Pergunta mal colocada, a luz ficou embaçada e a tempestade se instalou.

Por detrás do desentendimento, antiga questão que vive a nos incomodar – o medo de perder o outro, que nos leva a não respeitar a liberdade de quem amamos.

Dinâmica que não se equilibra, vamos abrindo feridas difíceis de cicatrizar.

Ao suscitar fortes emoções negativas, dizemos coisas sem pensar; palavras que como facas afiadas, servem para cortar, não para comunicar.

Fáceis de desculpar, duras de perdoar, difíceis de esquecer, passíveis de se acreditar...

Qualquer mal-estar atual e de pronto se escancara o baú de más recordações. Donde começamos a desfiar o novelo de insensatez, trazendo à tona tudo o que não faz parte do nosso memorial. Nele deveríamos guardar apenas os bons momentos...

Será que somos mais verdadeiros nos bons ou nos maus momentos, pergunto-me inquieta.

Quando regidos pelas emoções, não há verdade fora delas, verdade que sirva à razão. Há apenas idéias vassalas das emoções, que como pêndulo, ora pendem para um lado, ora para outro. Em vez de agentes, passamos a ser pacientes, sofrendo por nossa incapacidade de domar a besta fera das emoções que nos habitam.

Vivemos em um carrossel de emoções.

Por isso, há tanta intensidade em nosso olhar; por isso as palavras que dizemos trazem tanta convicção; porque movidas pelo poderoso gás que abastece o coração – a paixão.

Ser passional é cansativo.

Parece que vivemos em uma montanha russa, e nos acostumamos a altos e baixos emocionais, a curvas perigosas, a ladeiras íngremes, que nos mantêm alertas e “acordados” para a vida. Por outro lado, um pouco de calmaria também faz bem, descansa, acalma, apazigua o corpo e a alma.

Mas a sentimos como tédio. Não nos acomodamos. De novo queremos “sentir” o sangue pulsar em nosso peito, forte, quente, vermelho, bombeando para se espalhar pelas nossas artérias, irrigar cada célula, e depois retornar pelas veias, trazendo as impurezas que encontrar no caminho. O ciclo da vida. Sem o qual vida não há.

Quando as nossas paixões (leia-se emoções) descansam, começamos a pensar, a valorar, a mensurar nossos desejos, planos, relações. Traçamos metas que exigem sacrifícios, mas que prometem recompensas. Planejamos ganhos futuros, mesmo que exijam perdas imediatas. Exercemos o que há de mais humano em nós: o raciocínio.

Será que teremos que viver sempre assim, servindo a um só senhor, nossas emoções? Ou podemos apear esse senhor feudal tão exigente, usando como laço nossos pensamentos, e dizendo “quem manda aqui sou eu”?

Resta ver para crer, ou viver para saber.



Escrito por Cinthia Bueno às 16h16
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CORAÇÃO

 

Esse coração meu que no peito já não cabe

e traçar caminhos seguros não sabe

pulsa apenas, sempre forte, não enxerga o muro

bate de frente, cruza a fronteira, me deixa no escuro.

 

Esse coração que não desiste de procurar

Mesmo sem saber o que quer encontrar

Coração que não mente, porque sente medo,

Do sangue que pulsa, quente – coração de brinquedo.

 

Esse coração que já sabe da vida o segredo

Brinca de viver, sem levar a sério os seus mistérios

Porque a vida só se complica pra quem não ousa

Sair da realidade, e nela se aprisiona como numa grade.

 

Esse coração que me pertence, que tudo sente,

Sabe o que quer de mim, por isso não me dá trégua,

Traça minha vida com giz de cera, mapa e régua,

Faz do sonho sua diretriz, e não abre mão de nada

Para ser feliz.

 

Cinthia Bueno

14/09/2005



Escrito por Cinthia Bueno às 10h31
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Caros amigos (são os meus amigos mesmo que me visitam): Para dar uma "agitada" no meu espaço virtual, resolvi indicar blogs interessantes garimpados na internet, mostrando um pouco do que neles me seduziu. Começarei com http://www.espalhepoesia.blogspot.com/ , de STELLA RAMOS

Aquele homem de barba trabalhava em todas as horas de sol para comprar dinheiro. Para plantar sementes verdes de papel em seu jardim, que crescerão em flores de custo e benefício, semente investida em mais horas de labuta, talvez agora ganhar também as horas de lua para seu trabalho, plantado com afinco de sol e lua à testa na terra, regado com o suor valioso do tempo a mais, as poucas horas de sono, o valor do trabalho, há que se comprar dinheiro, que se ganhar conforto e luxo inacessíveis, as horas do dia e da noite são devotadas ao trabalho em sua glória e vaidade, moeda de compra de seu sono dos justos bem sucedidos na vida, é preciso tempo, mais tempo, o capital da vida anda escasso, é preciso ainda mais tempo e dinheiro para que na velhice, trabalhosamente afastada, ele possa finalmente olhar seus pés (reconhecerá seus dedos?), parar diante da vida e olhar para a Terra, sua até onde a vista alcança, sua terra fria e seca, como o contrário de cais.

by STELLA RAMOS

 

 

 

 

 



Escrito por Cinthia Bueno às 08h44
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VIVER E DEIXAR VIVER

 

Sei que é amor, mas cada vez mais acredito menos que seja pra sempre.

Porque conviver é muito mais que bem-querer.

É saber deixar o outro ser.

É não impor limites que nos deixem seguros.

Porque limites nada mais são do que muros.

É construir a todo o tempo uma ponte,

E deixar rastros dos nossos passos para que o outro nos encontre.

É nos mantermos com a mente nas nuvens, mas os pés no chão,

Fazendo uma vida real ainda melhor que nosso ideal.

Assim é amar, na minha concepção,

Sem amarras, sem garantias, sem ilusão,

Apenas amar como pode ser

Vivendo e deixando viver.



Escrito por Cinthia Bueno às 09h12
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FRAÇÃO

 

Sem você, sou apenas uma parte de mim

Sou a metade, do todo a fração

Vagando, com um vazio no coração,

Pelo sentimento meu, prestes a se esvair.

 

A mente, ainda que cindida, não é bastante

Para entender o seu pensar ausente

Para ensaiar uma nova forma de ser

Que não o leve de mim, tão distante.

 

O corpo, que ainda sente do beijo o calor

Treme de frio e medo ante o inarredável escuro

Que se aproxima latente, ausência de cor

E na busca de uma ponte, só encontra um muro.

 

Enfermo no presente o amor, mortificado está o seu futuro

Nosso horizonte, antes pura esperança, não é mais.

Antes crianças que dançavam ao luar,

Agora somos adultos, que tristes, perdem o passo,

E sozinhos não querem mais dançar.

 

Cin Bueno

12/5/2005



Escrito por Cinthia Bueno às 08h46
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ALTO-MAR

 

Quero seu corpo agora, com urgência

No meu enlaçado num abraço premente,

Sem atentar para o cansaço

Do corpo ou da mente

Sermos amantes assim, simplesmente.

 

Não se faz mais possível esperar

Enquanto somem as suas digitais

Da lembrança dos meus sentidos

E as palavras que inundavam meus ouvidos

Eu já não consigo mais lembrar.

 

É preciso que o seu corpo pese sobre o meu

E o cheiro agridoce que vem dos seus poros

Entre suave pela minha respiração ofegante

Enquanto seus dedos, neste instante,

Realizam, com maestria, a minha fantasia.

 

É inadiável a vontade de não resistir ao seu beijo

E aceitar feliz, do amor ser sua aprendiz

Navegar sem leme pelo oceano do seu corpo

E mesmo sem bússola, nele encontrar repouso

Enquanto o vento nordeste sopra as nossas velas

E suave, o nosso barco nos leva para alto-mar.

 

Cinthia Bueno

07/04/2005

7:00h

 



Escrito por Cinthia Bueno às 07h17
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